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sexta-feira, 1 de junho de 2012

São os caracois...

Cronica do senhor caracois!
(este ainda aparece morto...)

"O Benfica jogou muito e jogou pouco e as arbitragens provocaram-lhe dano (na segunda metade da Liga). O Sporting teve altos e baixos e as arbitragens provocaram-lhe dano (principalmente no arranque da Liga).
O FC Porto nunca jogou muito bem ao longo da época e as arbitragens não lhe provocaram dano. Estes são os factos. E a pergunta é... porquê? Porque, no tempo certo, para além das minudências que se costumam discutir " à mesa do café", Pinto da Costa atacou os pilares do "centralismo". Do país e do futebol. Sem medo, com determinação, perseguindo um ideal, fazendo amigos entre os inimigos, reunindo "fiéis" à volta da sua causa.

Pinto da Costa está na fase final da sua "empreitada": o "poder futebolístico" há muito que deixou de estar em Lisboa. Começou com o trabalho realizado nas associações (Adriano Pinto e Lourenço Pinto, mais dois Pintos, tiveram acção incansável), passou pela criação da Liga (através do projecto embrionário do Organismo Autónomo, do qual PC chegou a ser presidente) e pela "coexistência pacífica" com o Boavista (Valentim Loureiro como parceiro e nunca como "adversário-inimigo"); foi importante a criação da sede da Liga no Porto, depois dos constantes ataques às finais da Taça de Portugal, no Estádio... "em Oeiras". A cereja no topo do bolo será alcançar o Benfica em número de campeonatos. Faltam 6. Não parece impossível.

O poder nunca começa por ser um decreto. Pinto da Costa sabe o que é um favo. E como se pode transformar um favo numa colmeia. E o contrapoder não passa por depositar dinheiro nas contas de árbitros ou árbitros assistentes. O poder tem um lado musculado e brutal, mas tem um outro, que apela à subtileza. Pinto da Costa conseguiu ser, simultaneamente, brutal e subtil. Brutal para afastar aqueles que, em última análise, se recusaram a vergar-se e se revelariam contraproducentes à arquitectação da "nova (agora velha) ordem". Subtil para atrair aqueles que, normalmente mal-amados entre prosélitos, são fundamentais para a ideia de "unidade e reforço do exército" e ao mesmo tempo para criar (mais) divisões no "inimigo".

Não é necessário um grande esforço de memória: Pinto da Costa hostilizou o nomeador dos árbitros, Vítor Pereira? Não. Apenas algumas "bicadinhas de amor". No longo "reinado" de Madaíl como presidente da FPF, alguma vez Pinto da Costa foi obrigado a "tirar-lhe o tapete"? Não. Apenas... "sinais". Alguma vez Pinto da Costa se incompatibilizou com Joaquim Oliveira, que soube gerir como ninguém (através do monopólio dos direitos televisivos) as misérias e as dependências dos clubes do futebol profissional? Não.

**A última "jogada" de Pinto da Costa foi magistral: deixou correr a ideia de dissidência em redor de Fernando Gomes (ex-SAD do FCP), com isso gerou a convicção, sobretudo no Benfica, que a partir de uma "nova FPF" e com um novo modelo de organização, as lógicas de poder iriam mudar, mas na verdade pouco ou nada mudou. As figuras eleitas sob o patrocínio de Benfica e Sporting não são mais do que "figuras decorativas" para "compor o ramalhete".

O FC Porto continua a ter uma estratégia. Os outros limitam-se a protagonizar... impulsos. Este campeonato foi ganho pela estratégia. Com sobremesa.


Ps- ** Só o Vieira é que não viu isto...